sábado, 18 de abril de 2015

Medo.

Eu tenho medo de não ser a pessoa que você esperava que eu fosse. Principalmente, porque você é exatamente do jeito que eu pensava. E eu quero tanto, tanto que a gente dê certo, que só de pensar no contrário meu corpo inteiro dói, de um jeito que nem morfina conseguiria diminuir a dor. Quando finalmente eu encontro alguém bacana, quem corre o risco de colocar tudo a perder sou eu mesmo. Talvez meus relacionamentos não tenham dado certo, não por culpa dos outros, mas por culpa minha mesmo. Vai ver eu não sou tão interessante, ou tão maduro, ou tão engraçado, quanto eu pensava. Vai ver eu sou chato, desinteressante, monossilábico. Será que, então, eu estou fadado ao fracasso? Não, eu sou diferente. Eu sempre fui diferente da maioria. Eu não posso duvidar de mim mesmo agora. Eu sou a pessoa que eu disse ser, só estou encontrando dificuldade pra deixar transparecer isso. Juro! Dê-me um tempo e você vai ver. Quando o medo de não dar certo começar a sumir, terá o prazer de me conhecer.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Quando me coloquei em primeiro lugar.

- É uma pena, sabe, porque eu realmente gosto de você.
- Eu não acho que você saiba definir o que é gostar de outra pessoa.
- Desde que te conheci eu só penso em você, Caio.
- Eduardo, para.
- Mas é verdade.
- Então, qual a dificuldade em assumir pros outros o que rola entre a gente?
- Tem muita coisa envolvida, não é fácil.
- Sinto muito, mesmo, mas já passei dessa fase. Minha família já sabe de mim, me recuso a entrar no teu armário pra viver lá contigo.
- É só isso que eu posso oferecer.
- Esse é o problema. É pouco. Muito pouco. Eu sei do que eu já passei. Do número de pessoas problemáticas que eu conheci durante minha vida. E, definitivamente, eu mereço algo melhor do que isso.
- Entendo.
- Eu também te entendo. E espero que você encontre alguém que se acomode e se sinta satisfeito com o que você tem pra dar. Mas, preciso ficar livre pra conhecer alguém que queira ao menos me apresentar como namorado pros amigos.
- Vai ser difícil te esquecer, sabia?
- Acho que não. Você sempre me apresentou como um amigo para as outras pessoas, é só você argumentar que a amizade acabou.
- E qual motivo eu dou?
- Isso aí e problema seu. A partir de hoje, Eduardo, eu não tenho mais nada a ver com eles.
- Tudo bem.
- É a primeira vez na minha vida que eu me coloco em primeiro lugar, e que eu aceito, que apesar de gostar muito de ti, essa relação não vai durar nem um curta metragem. Em outro momento, eu te aceitaria. Mas a gente aprende com os erros. Espero que você também aprenda com os seus.
- Como fico sem receber os seus "bom dia" quando acordar?
- Comece a dar bom dia a si mesmo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Talvez você não acredite.

Talvez você não acredite, mas se você se enxergasse da forma como eu te enxergo, você entenderia. Você teria certeza que não é paixão, porque paixão é como um tornado: possui uma força enorme, mas não dura muito. E o que eu sinto vai tomando proporções maiores a passos curtos a cada dia que passa.Você sabe o que é isso, não sabe? Pode ser que tenha se esquecido. Amou tanto, que hoje é difícil pensar na possibilidade de ser amado por alguém dessa forma. Seria fácil se fosse simples, mas não é. E junto com tudo isso, acaba trazendo também o meu maior medo, que é me entregar de bandeja nas mãos de outra pessoa. Por isso eu ando com cautela, eu falo pouco, mas eu sinto tanto, tanto, que sufoca. É uma pena que seja tão cedo para colocar tudo isso pra fora, antes eu preciso ter certeza de que eu não estou apostando no jogo errado. Porque, infelizmente, a verdade mesmo, é que eu sinto que ainda não é recíproco.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Não, eu não sou perfeito. Às vezes, eu pego o suco na geladeira e bebo direto na garrafa. Eu xingo os outros motoristas quando estou na rua. Às vezes, sou tímido de uma forma que é irritante pra mim mesmo, imagine pra quem está a minha volta. Eu me estresso com pouca coisa. Mas, por outro lado, também dou risada e fico feliz com momentos, aparentemente, sem valor algum. Eu tenho dificuldade pra confiar. Infelizmente, algumas cicatrizes a gente não obtém por vontade própria, e essa não é uma delas. Eu sou chato, mas sou agradável na maioria das vezes. Se você pudesse passar alguns minutos dentro da minha cabeça, você teria noção exata do tempo que eu passo pensando em como conseguir ser a melhor pessoa do mundo que você já conheceu na vida. E mesmo que eu seja uma pessoa cheia de falhas, eu não quero levar pra tua vida nada que não seja felicidade. Sabe, eu passaria um dia inteiro do teu lado ouvindo o som da tua voz, escutando tuas histórias. Eu gravaria o som da tua risada e usaria como despertador. Existe uma forma melhor de começar o dia, já que não posso acordar do seu lado?

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A CULPA NÃO É MINHA!


- Isso que você está fazendo comigo, outra pessoa vai vir e fazer a mesma coisa com você.
- Já fizeram. Inúmeras vezes. Me deseja outra coisa, que essa virou tradição já.
- Engraçado, você não era assim ontem.
- Assim como? Idiota?
- Você acha idiotice gostar de alguém?
- Como você definiria uma coisa que te transforma num completo babaca?
- Humano.
- Um humano idiota, que seja.
- Tá, se você quer assim, eu vou desligar, não tenho porque estar perdendo tempo contigo.
- Eu sei que você vai me odiar, mas a culpa não é minha.
- Quem está me dando um fora é você, então minha é que não seria.
- Ninguém pode obrigar ninguém a sentir qualquer coisa que seja.
- Mas você não se permite, esse é o problema. Permita-se. Melhor: Permita-me.
- Agora que eu arrumei toda a casa? Não mesmo.
- A gente nunca sabe quem vai bagunçar a nossa vida, ou quem vai nos ajudar a manter tudo organizado, Caio.
- Desculpa, mas é um risco que eu não vou e nem quero correr.
- Perdemos coisas maravilhosas por conta disso.
- Eu sei. Mas também evitamos tragédias.
- Eu não sou uma catástrofe.
- Mas eu sou. Até mais.

sábado, 22 de novembro de 2014

NÃO TEM NINGUÉM EM CASA.

ele acabou de sair. disse que iria ali e voltava rapidinho. quando ele voltar, diz pra ele que eu estive aqui? digo. 
por que você não quer falar com ninguém? não sei, Clara. eu não sinto vontade de sair do meu quarto, entende? ah, Caio, eu entendo, mas... por que? isso tem a ver com aquela história do Lucas? também. é muita coisa. é aquilo tudo que eu já te disse. são todos esses meses acumulados no organismo. tem uma hora que a gente precisa colocar pra fora e não sabe como. nem tudo nessa vida se resolve chorando. eu tento me manter ocupado, pelo menos. eu estudo. eu vejo um filme. eu leio um pedaço de um livro. faço brigadeiro. peço uma pizza. escrevo no meu blog. e converso com você. aliás, você é a única que me dá atenção, Clara. você não pega o celular no meio do meu desabafo, nem me interrompe enquanto processo aquilo que ainda não está pronto pra ser despejado. você não vira os olhos para os lados. você me vê. me ouve. me assiste. como se eu fosse o filme mais interessante que você já viu na vida. por que eles não podem ser como você? seu interesse pela minha vida. a forma como você me deixa deitar no seu colo. o apoio. todas coisas tão simples que ninguém dá mais de graça hoje em dia. tudo funciona como moeda de troca. e eu nunca ganho nada, Clara. nunca. sempre saio perdendo. esse ser humano que você vê na sua frente está perdendo feio pra vida. me diz, me diz, como eu faço pra virar o jogo ao meu favor? não quero ser esse cara ríspido que afasta todo mundo, mas esse mundo está tão superficial. lembra daquele meu encontro do mês passado? eu arrumei todos os livros, justamente pra ficarem bem escancarados. quando ele chegou, eu o acomodei e disse que poderia ver meus livros se quisesse, mas ele nem se mexeu. preferiu fazer qualquer coisa no celular. nossa, meus livros me entregam tanto. ele poderia ter evitado muita coisa se tivesse dado uma olhada nos títulos. ele veria que não valeria a pena ser filha da puta comigo. ele saberia que eu não merecia ser ignorado, ou que não era alguém em busca de sexo. Caio, você tem que ser paciente. mais? não é desespero, Clara, é raiva. o que eu faço de tão errado? qual o meu defeito? se as pessoas parassem pra me ouvir por alguns minutos. aceitassem meus convites. não sou nada daquilo que elas imaginam que eu seja. provavelmente sou melhor. eu não me acho, Clara. nunca pensei isso, Caio. eu penso justamente igual a ti. se eles te conhecessem como eu te conheço, quem estaria aqui não seria eu. 

Não seria eu. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Caixa postal.

Até que um dia você decidiu discar meu número. De tanto tocar caiu na caixa postal. No dia seguinte, quando acordei, haviam mais de dez chamadas não atendidas. Ignorei. Não sei, não faço a mínima ideia do que você queria me dizer, se é que teria mesmo algo de importante a ser dito. Eu lembro muito bem onde nós estávamos há duas semanas atrás. Deitados na cama, lado a lado, compartilhando histórias, experiências, por horas a fio. No dia seguinte, eu liguei, conforme havíamos combinado, você atendeu e disse que não podia falar naquele momento, que retornava mais tarde. O "mais tarde" durou vários dias sem dar sinal de vida. Até que eu larguei de mão. Ir atrás, ficar em cima, pra que? Por que? Se você não veio, é porque não queria vir e ponto final. Não tenho que ficar choramingando pelos cantos, a vida segue. Ah, e como segue. Você nem sabia, mas era a minha última tentativa. Aquela na qual eu apostei todas as fichas que me sobravam no bolso. "Só mais essa vez", disse a mim mesmo. Como alguém que tenta insistir, mesmo se esforçando ao máximo para permanecer de pé. Foi como uma partida de sinuca onde nenhuma bola caía. Foi um arremesso mal sucedido no boliche, onde eu acompanhei a bola ir rapidamente para à esquerda, deixando todos os pinos intactos. E eu que pensei que dessa vez seria diferente. Não foi. Só Deus sabe se um dia vai ser.